30 de junho de 2010 | Destaque, Saúde

Vida Moderna versus Concepção

Gravidez tardia e endometriose afetam o sonho da maternidade

útero

Endométrio: tecido que reveste o interior do útero, expelido na menstruação

A falta de tempo dos dias atuais aliada a não observância das mulheres em ouvir alguns sintomas de seu próprio organismo tem aumentado o índice de uma doença que afeta milhares de brasileiras.

A endometriose é uma doença que ocorre em mulheres em fase reprodutiva quando o endométrio (tecido que reveste o interior do útero e que é expelido durante a menstruação) é encontrado fora do útero – nos ovários e trompas por exemplo.

Nessas regiões, o tecido endometrial se desenvolve em formato de nódulos, que também são estimulados pelos hormônios do ciclo menstrual, sofrendo pequenos sangramentos e causando uma intensa inflamação no local.

“Se não for diagnosticada no início, progride e intensifica a reação inflamatória, podendo invadir a bexiga, causando cistites e sangue na urina, e o intestino e o reto, provando dor, diarréia ou prisão de ventre. Toda essa inflamação também pode causar aderência entre os órgãos internos e a deformação do aparelho reprodutor, impendido a mulher de engravidar”, diz a ginecologista Dra. Nara Mattia.

Cerca de 6 milhões de brasileiras possuem o problema, que pode apresentar tanto dores alarmantes como ser silencioso. A doença é conhecida há muitos anos, mas a grande dificuldade sempre foi obter o diagnóstico correto. Normalmente, a mulher descobre o problema dez anos depois, já em estágio avançado. Esse é o maior drama, pois a pior consequência é a infertilidade, que muitas vezes acaba com o sonho da maternidade.

É classificada como doença da vida moderna pois existe uma forte relação entre o comportamento da mulher dos dias de hoje com o aparecimento e o agravamento do problema. Geralmente menstruam mais cedo e adiam a gestação, aumentando assim a quantidade de ciclos menstruais. Além disso, o stress do dia a dia por causa da competitividade do mercado de trabalho, levam a alterações imunológicas.

Já que a doença está relacionada ao sistema imunológico e ao stress da vida moderna, cuidar do bem-estar é primordial para evitar e tratar o problema. Os tratamentos alternativos como acupuntura, nutrição, atividade física e massagem vão garantir maior resistência à doença, estabilidade emocional e qualidade de vida.

Mas não é apenas a dificuldade em engravidar ocasionada pela endometriose que têm adiado o sonho de muitas mulheres em se tornarem mães. A opção da realização profissional e estabilidade financeira também são alvos da gravidez tardia.

“O termo gravidez tardia já pode ser usado quando a mulher tem mais de 40 anos”, comenta a mastologista Dra. Nara Mattia. Segundo a médica, a idade não é fator determinante para se avaliar se uma gestação é segura ou não. O que importa são as intercorrências durante os nove meses – mais freqüentes em mulheres com mais idade. Mas ela ressalta ainda que “mulheres jovens também podem ter sérios problemas durante a gravidez”.

Mas engravidar após os 40 anos pode trazer sérias conseqüências à gestante e ao bebê. “O corpo de uma mulher com 20 anos suporta muito mais o estresse resultante de uma gravidez. Mas, o maior risco seriam os problemas cromossômicos que aumentam em progressão geométrica”, comenta a especialista.

Após os 40 anos, o risco de que a mulher gere uma criança com síndrome de down, por exemplo, cresce de forma acentuada. Com 30 anos, o risco de eventuais problemas cromossômicos é de 1/952, com 40 anos é de 1/106 e com 45 anos sobe para 1/30. Com o passar dos anos, a fertilidade feminina também é comprometida, tornando difícil a concepção. Aos 30 anos, a mulher tem uma chance mensal de engravidar de 25%, índice que cai para 12% quando ela completa 40 anos.

Apesar de ter-se registrado um avanço na consolidação dos direitos da mulher perante o homem na vida moderna, o primordial está em olhar para si mesma, cuidar de seu organismo feminino, e resguardar sua essência à que veio ao mundo, através da capacidade única e exclusiva de gerar a vida.

Portanto para as mulheres que decidiram pela gravidez tardia, vale a dica da médica:” Em qualquer idade o mais importante é cuidar da saúde e da gestação. Hoje existem mulheres com 40 anos que parecem ter menos idade, porque praticam esportes, controlam o peso, não fumam e estão atentas aos sinais de seu corpo”.

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