Depressão e doença cardiovascular: combinação perigosa e cada vez mais comum

Estudo publicado no Journal of the American Medical Association* demonstra que as pessoas com depressão apresentam maior probabilidade de desenvolver doença cardiovascular, independentemente dos fatores de risco clássicos como hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo e obesidade. De acordo com Evandro Tinoco Mesquita, cardiologista, professor na Universidade Federal Fluminense e diretor do Hospital Pró-Cardíaco do Rio de Janeiro, essa porcentagem pode ser ainda maior em alguns tipos de doença cardiovascular, pois pesquisas realizadas na Universidade Federal Fluminense mostram que a depressão está associada à cerca de 70% dos pacientes com insuficiência cardíaca.

Segundo dados do Estudo, a depressão será a segunda causa de incapacidade em 2020. Hoje, a doença afeta de 16 a 22% das pessoas que sofreram infarto e pode aumentar em 50% a mortalidade desses pacientes. Este cenário se apresenta porque as pessoas com depressão tornam-se mais vulneráveis a interromper ou não seguir os tratamentos, mais propensas a fumar, não se alimentar de forma saudável e serem sedentárias. Em pacientes com depressão, o cérebro modifica a produção de neurotransmissores, o que interfere na sensação de bem estar e felicidade, levando a uma piora do seu quadro clínico com aumento do risco de arritmia cardíaca, morte súbita e novos episódios de infarto.

Outro dado importante apontado pela publicação revela que a depressão é mais comum no sexo feminino e o risco de mortalidade por doença cardiovascular aumenta em 9% nas mulheres deprimidas, especialmente nas que estão na pós-menopausa. “Aqui no Brasil, nossas pesquisas mostram elevada prevalência da depressão entre as mulheres e novas evidências apontam depressão como um novo fator de risco para desenvolver doença cardiovascular”, explica Mesquita.

A coexistência da depressão e da doença cardiovascular abre caminho para uma maior conexão entre o cardiologista e o psiquiatra na indicação do tratamento adequado, que envolve o uso de antidepressivos e estatinas. Dentre elas, atorvastatina (Lípitor), que é a estatina com o maior número de evidências científicas, que comprovam seus efeitos na redução significativa do risco de eventos cardiovasculares e na diminuição em 39% a 60% dos níveis do colesterol ruim (o LDL). De acordo com o cardiologista, é importante complementar o tratamento com o emprego regular de exercícios físicos. A prática de atividade física reduz o risco de infarto em mais de 50%, pois contribui para diminuir o LDL (colesterol ruim), também aumentando o HDL (colesterol bom) e melhora a qualidade de vida do paciente com depressão.

Ainda de acordo com dados do Estudo, a prática de 30 minutos de exercícios físicos, por pelo menos quatro vezes na semana, reduz em 40% o risco de isquemia cardíaca. Além, de melhorar o humor, o que também age diretamente no combate à depressão. Hábitos não saudáveis, como tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e alimentação não balanceada também contribuem para o agravamento do quadro depressivo e possuem relação direta com doenças cardiovasculares.

*O Estudo publicado pelo Journal of the American Medical Association contou com a participação de 1000 pacientes entre 2001 e 2008

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